Autora de novelas, séries e cinema ministra aula em curso da UFSCar

Data: 31/03/17 16:45:59

Quando você assiste um filme no celular, isso ainda é cinema? Ou cinema é só na sala escura? Se você assiste Game of Thrones no computador, aquele produto ainda é uma série de televisão? Hoje em dia, cada vez mais, as tecnologias se misturam e as “telas” se confundem. Vivemos uma era em que as mídias estão em todos os lugares e as pessoas estão conectadas em tempo integral. As narrativas se relacionam em diferentes plataformas e os espectadores da atualidade transitam entre websites, redes socais, dispositivos móveis, como tablets e smartphones, além da tradicional televisão, dentre outros meios, nos quais cada um pode ver o que quer, quando quiser e quantas vezes desejar.

Para Rosane Svartman, autora de duas temporadas de Malhação e da novela Totalmente Demais, exibidas pela Rede Globo, um projeto audiovisual hoje em dia deve ser pensado para acontecer em diversas plataformas. “Nós estamos descobrindo novas formas de contar histórias, de se comunicar e realizar ideias”, explica. A cineasta esteve na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) para dar uma aula aos alunos do Curso de Especialização em Produção de Conteúdo Audiovisual para Multiplataformas (EAM).

Rosane inovou na TV aberta. Antes do lançamento oficial, Totalmente Demais teve um "capítulo zero" com 15 minutos de duração apresentando a trama divulgado pela plataforma online Globo Play. A novela contou ainda com um spin-off nomeado Totalmente Sem Noção Demais, também lançado na internet, com dez episódios. Rosane é uma contadora de histórias nata que já concorreu a prêmios por projetos transmídia e que está rodando seu quinto longa metragem - Pluft, uma adaptação da peça teatral infantil de Maria Clara Machado, escrita em 1955, em 3D. “Gravamos uma primeira parte em dezembro e a segunda será realizada em julho”, adianta.

Apesar das 3005 salas de cinema espalhadas pelo país e da alta penetração da televisão, a população que consome produtos multiplataforma cresce de maneira contundente e significativa no Brasil. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 97% tem uma televisão em casa, enquanto 102 milhões de usuários brasileiros têm acesso à internet e a usam diariamente por cerca de cinco horas e meia. Outros dados do país mostram que 94,3 milhões desses usuários consomem produtos multiplataforma, de acordo com a ComScore. Com uma média de mais de um celular por pessoa no Brasil, em apenas um minuto mais de 6 milhões de vídeos são visualizados.

Na aula ministrada na UFSCar, Rosane abordou conceitos de pesquisa, estrutura, sinopse, argumento, justificativa, roteiro, personagens, escaletas, cenas e sequências, assim como diálogos, ganchos, arco narrativo e episódios, defendendo que os profissionais do audiovisual devem transitar entre as diferentes telas. “Antigamente se discutia transmídia de forma isolada, hoje em dia já se aborda o projeto como um todo”, ressaltou.

Diferente de outros autores conhecidos, Rosane Svartman está inserida no mundo acadêmico. Foi a segunda vez que ela, que também já escreveu e dirigiu filmes, peças de teatro, séries, webséries, reality shows, jogos de realidade alternativa, documentários, programas de auditório, musicais e humorísticos, como o Casseta e Planeta, além de ter fundado a Escola de Cinema do Nós do Morro, grupo localiza do na Favela do Vidigal, no Rio de Janeiro, ministrou uma aula no curso de pós-graduação da UFSCar. “A Universidade também é uma oportunidade de trazer um pouco da minha experiência para dentro da sala de aula e debater. Gosto muito de refletir sobre o que eu estou produzindo e o que estou vendo. Isso é muito enriquecedor”, afirma.

Durante seu mestrado foi que Rosane começou a pesquisar modelos de negócios de projetos multiplataforma e transmídia. Para a roteirista, não basta ter uma ideia genial, é preciso buscar caminhos para a realização. O Fundo Setorial do Audiovisual tem sido uma grande fonte de recursos. “A Internet ainda não paga um produto audiovisual, então quando se pensa num projeto multiplataforma é preciso saber de onde vem o dinheiro. O mercado está em um bom momento para investir neste sentido”, explica.

Sobre sua aula no curso de especialização da UFSCar, a roteirista destacou ainda que além de um processo de ensino-aprendizagem é também uma oportunidade para dialogar. “Os alunos também são produtores, alguns muito experientes, e há pessoas que vivem experiências que eu ainda não vivi e é muito legal essa troca. Além disso, quando eu preparo uma aula também é uma forma de estudar sobre o que estou fazendo”, ressalta. Rosane indicou vasta literatura para os alunos do curso, que ela mesma utiliza para nortear seus trabalhos.

As inscrições para o Curso de Especialização em Produção de Conteúdo Audiovisual para Multiplataformas (EAM) da UFSCar estão abertas até o dia 29 de abril. Com uma abordagem multidisciplinar e um corpo docente diversificado de especialistas da UFSCar, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, da FAAP, da Anhembi Morumbi, e outras universidades, a pós-graduação é voltada a profissionais de Televisão, Cinema, Marketing e Publicidade, Design e demais interessados no estudo das relações entre franquias de mídia, processos comunicacionais e conteúdos em rede.

Com um baixo investimento, os estudantes terão acesso a disciplinas como Transmídia, vídeos sob demanda, projetos multiplataformas e startup audiovisual. O único pré-requisito é ser graduado. As aulas são realizadas quinzenalmente, aos sábados, no Campus São Carlos da UFSCar, a 230 km da capital. As inscrições podem ser feitas pela internet, em www.geminisufscar.com.br/especializacao, site no qual há outras informações. O curso está vinculado ao Grupo de Estudos sobre Mídias Interativas em Imagem e Som (GEMInIS) do Programa de Pós-Graduação em Imagem e Som (PPGIS) da UFSCar. Dúvidas podem ser esclarecidas pelo email especializacao.multiplataforma@gmail.com.

Aula de Rosane aconteceu no dia 25 de março, sábado 

(Fotos: Divulgação)