EaD: UFSCar oferece materiais acessíveis para deficientes

Data: 21/11/16 16:46:43

Uma parceria entre o Departamento de Terapia Ocupacional (DTO) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Secretaria de Educação a Distância (SEaD) da Instituição resultou em materiais didáticos acessíveis para estudantes deficientes visuais e auditivos. A iniciativa foi apresentada no Fórum Internacional de Inovação em Tecnologia Assistiva, Esporte e Saúde, realizado na última semana no Campus São Carlos da UFSCar. Para possibilitar a navegação de pessoas com deficiência auditiva, por exemplo, no ambiente virtual de aprendizagem Moodle, recurso educacional tecnológico no qual os materiais e atividades da educação a distância da UFSCar são disponibilizados, foram implantadas a tradução em Língua Brasileira de Sinais (Libras) em vídeos e também foi iniciado o uso de legendas. 

Para a deficiência visual, foram utilizados recursos como a audiodescrição em documentos e vídeo aulas, que consiste na transformação de imagens em palavras para que informações chaves, transmitidas normalmente de forma visual, não passem despercebidas e possam também ser acessadas por pessoas cegas ou com baixa visão. Softwares de leitura que leem em voz alta o que aparece na tela de um computador, podcasts, que são gravações em áudio de conteúdos visuais, e audiolivros feitos a partir de apostilas de ensino, com algumas adaptações no texto, também foram parte dos recursos de tecnologia assistiva implantados.

Gerusa Lourenço, docente do DTO da UFSCar e coordenadora do curso de graduação em Terapia Ocupacional da Universidade, mestre e doutora em Educação Especial e atuante nas áreas de educação inclusiva, explica que Tecnologias Assistivas são meios, recursos, estratégias e contornos utilizados para favorecer a funcionalidade de deficientes, potencializando ações em atividades do cotidiano. “Uma tecnologia assistiva está além do equipamento. Ela se configura na interação entre o sujeito e o resultado positivo na realização de alguma atividade. Por meio da implantação das tecnologias assistivas nós buscamos melhorar a qualidade de vida destas pessoas”, explica a professora.

Outra iniciativa realizada aconteceu no curso de formação docente da SEaD UFSCar, no qual foi incluída a temática da acessibilidade para que os professores conheçam alguns recursos que podem ser trabalhados caso tenham algum aluno com deficiência. O curso de tutoria também se tornou acessível. Segundo Clarissa Bengtson, responsável pela equipe de acessibilidade na SEaD da UFSCar e mestranda no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Universidade, os principais desafios enfrentados no período de implantação foram a sensibilização dos professores que ainda não haviam trabalhado com alunos deficientes, sobre o processo de adaptação dos estudantes, e encontrar pessoal qualificado para produção dos materiais. “Havia professores com 30 anos de experiência, mas que nunca tinham tido um aluno com deficiência”, lembra Clarissa.

A professora Gerusa Lourenço, que também já atuou como tutora na EAD, explica que não é fácil implantar recursos de Tecnologia Assistiva. “Devemos estar atentos às demandas e verificar onde estão as dificuldades, q uais os recursos disponíveis, qual a atividade que o sujeito deseja desenvolver. Para a Tecnologia Assistiva é melhor saber o que a pessoa faz, do que aquilo que ela não faz e ver o que se pode fazer a partir deste diagnóstico”.

Maria Iolanda Monteiro, docente do Departamento de Teorias e Práticas Pedagógicas (DTPP) da UFSCar e que já atuou como professora e coordenadora de cursos EAD, lembra que este trabalho inovador possibilita o acesso do conhecimento a todos. “A UFSCar tem uma grande contribuição para essa questão da acessibilidade. A SEaD tem uma estrutura muito boa, conta com uma equipe de audiovisual, além de um estúdio. Os materiais desenvolvidos ainda foram testados por profissionais que também são deficientes antes de ser disponibilizado aos usuários”. Segundo a professora Clarissa Bengtson, o retorno dos alunos foi extremamente positivo. “Isso nos motiva: contribuir com a oportunidade de abrir uma porta para outras pessoas terem também acesso ao conhecimento”.

Gerusa Lourenço concluí ressaltando a grandeza do Fórum Internacional de Inovação em Tecnologia Assistiva, Esporte e Saúde, cuja gestão ocorreu por meio da FAI.UFSCar (Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Universidade Federal de São Carlos), no qual a iniciativa foi apresentada. “É muito bom nós termos esse Fórum para abordar Inovação e Tecnologia Assistiva, pois é um assunto que precisa ser discutido e divulgado”.