Faltam profissionais capacitados para o tratamento do autismo no Brasil

Data: 16/02/17 15:30:13

Uma em cada 48 pessoas tem pelo menos uma característica do Transtorno do Espectro Autista, o que representa quase 2% da população mundial. No Brasil, estimativas apontam que mais de três milhões de pessoas sejam afetadas pelo transtorno, que compromete a integração social, a linguagem, dificulta a comunicação e provoca comportamentos inadequados. Outro agravante, no caso brasileiro, é a falta de profissionais capacitados nas áreas de saúde e educação para o diagnóstico precoce e o tratamento.

 “Sabemos que é possível amenizar, ou mesmo solucionar, os prejuízos causados pelo autismo”, explica o professor Celso Goyos, docente do Departamento de Psicologia (DPsi) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que há 40 anos se dedica ao tema e aos procedimentos terapêuticos da Análise do Comportamento Aplicada ao Autismo (ABA), considerados os mais indicados e cientificamente reconhecidos como eficazes no ensino e tratamento do indivíduo autista.

 O Laboratório de Aprendizagem Humana Multimídia Interativa e Ensino Informatizado (LAHMIEI) da UFSCar, criado há 38 anos e coordenado por Goyos, está com as inscrições abertas até 10 de março para o único curso de especialização do Brasil em ABA. A pós-graduação é destinada aos profissionais que atuam com o autismo – psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, pedagogos, dentre outros – e aos familiares de crianças autistas. “Pais de crianças autistas também podem se inscrever”, afirma Giovana Escobal, vice-coordenadora do LAHMIEI. O único pré-requisito é ter uma graduação.

 “O curso fornece todos os subsídios necessários para uma pessoa que nunca trabalhou na área de Análise do Comportamento, com fundamentação teórica e técnicas utilizadas na prática”, ressalta Giovana. Faltam profissionais capacitados no Brasil porque existe escassez de cursos nos moldes do oferecido pela UFSCar. “Profissionais com esta formação estarão mais preparados para lidar com diagnóstico de autismo, até mesmo com relação à inclusão social e escolar”, explica Goyos.

 Para a psicóloga e mãe de uma criança com autismo, Patricia Binhard, que cursou a primeira turma em 2014, a especialização representou um “divisor-de-águas” em sua carreira profissional e na vida. “Como profissional tudo mudou. A Análise do Comportamento Aplicada me abriu portas. Hoje, tenho a oportunidade de aplicar procedimentos adequados. Na prática sei exatamente o caminho a seguir e os resultados são os melhores possíveis”, conta Patricia.

 Curso – As disciplinas do curso cumprem as exigências do Conselho de Certificação de Analistas de Comportamento (BCBA), órgão internacional de certificação.  As aulas, que se iniciam em 18 de março, serão presenciais no Campus São Carlos da Universidade e ocorrem de forma quinzenal, aos sábados, das 8 às 17 horas, com professores renomados da própria UFSCar e de outras universidades brasileiras. Também estão previstas aulas especiais com professores internacionais. Ao todo, são 24 meses.

Os interessados devem se inscrever pelo site www.autismoufscar17.faiufscar.com. O v alor do investimento e outras informações podem ser obtidas pelo email autismoufscar@gmail.com ou pelos telefones (16) 3306-6712 ou (16) 3351-8498.