Pesquisadores buscam tornar canteiros de obras mais sustentáveis

Data: 07/03/17 15:46:47

Professores e estudantes da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) participaram do Workshop Tecnologias para Canteiro de Obras Sustentável de Habitação de Interesse Social, que aconteceu no auditório do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon/SP), no dia 22 de fevereiro, apresentando os principais resultados do projeto Cantechis que se caracteriza como uma resposta à chamada pública de 2010 da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

A rede de pesquisa colaborativa é formada pela UFSCar, Escola Politécnica da USP (Poli-USP) e Universidades Federais do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Bahia (UFBa). Os estudos visam fomentar o desenvolvimento de tecnologias que possibilitem que os canteiros de obras tenham baixo impacto ambiental e melhores condições de trabalho, subdivididos em cinco subprojetos específicos.

Entre os subprojetos apresentados está o estudo sobre as Instalações Provisórias (IP) de Canteiros de Obras, que discutiu inicialmente as tecnologias pré-fabricadas existentes no mercado brasileiro, como placas de madeira, container metálico, placas plásticas de polietileno reciclado e pré-moldados de concreto celular. Foi apresentada a necessidade de que, mesmo as edificações sendo temporárias, o ciclo de produção seja racionalizado e sejam desenvolvidos projetos de montagem e desmontagem dos componentes.

Sheyla Serra, docente do Departamento de Engenharia Civil da UFSCar e coordenadora-geral da rede de pesquisa, apresentou a viabilidade do uso do BIM (Building Information Modeling) para a concepção dos projetos das IP. Outros pontos levantados foram a necessidade da utilização de materiais sustentáveis para a construção e o reaproveitamento dos resíduos gerados ao final da utilização.

Como forma de propor uma nova solução, a UFSCar, por meio do Núcleo de Estudo e Tecnologia em Pré-Moldados de Concreto (NETPRE) está desenvolvendo um protótipo para uso como IP, com possibilidade de vários ciclos de remontagem. Em seguida, os colegas da USP apresentaram estudo sobre a melhoria do conforto térmico em container metálico com tratamento à base de pintura refletiva e material isolante.

Outros subprojetos – A professora Dayana Costa, da UFBa, falou sobre o subprojeto Diagnóstico das Principais Necessidades Tecnológicas em Canteiros de Obras e destacou: “A gente percebe que ainda há grandes lacunas entre a percepção da importância de uma necessidade e a efetiva adoção de medidas que possam fazer com que os canteiros sejam de fato mais sustentáveis”.

Sobre o subprojeto Tecnologias de Execução para Melhoria das Condições de Trabalho e Redução de Resíduos, os professores Carlos Torres Formoso, da UFRGS, e José Carlos Paliari, da UFSCar, dividiram a apresentação. Paliari lembrou que as atividades no canteiro de obras envolvem riscos ergonômicos, que vão desde o recebimento de material até a execução das tarefas.

Os riscos aumentam devido ao trabalho não ser realizado em um posto fixo. Além disso, muitos canteiros são pouco estruturados e boa parte das atividades é realizada sob condições de intempéries (sol ou chuva). Uma outra solução apresentada pelo estudo é o uso de tecnologias industria lizadas e a implementação de linha de montagem para a produção de habitação de interesse social em sistema construtivo Light Steel Frame (LSF).

A necessidade de inserir a cultura da segurança no ambiente de trabalho foi destaque da apresentação do subprojeto Sistemas de Proteção Coletiva para Canteiros de Obras, apresentado pelo professor da UFRGS, Tarcísio Saurin. “É grande a variedade de sistemas de proteção coletiva existente atualmente, mas nem todos são certificados ou testados tecnicamente” lembrou Saurin, citando que existe bastante improvisação em relação a este assunto.

O workshop teve ainda a apresentação do subprojeto Emissão de Material Particulado nas Vizinhanças de Canteiros, com o professor Francisco Cardoso, da USP, que destacou a importância de tomar medidas que reduzam a emissão de material particulado (EMP), como poeiras, não só por conta das pessoas ou situações específicas do canteiro, mas também por conta do entorno e de um melhor relacionamento com a vizinhança do canteiro. O professor apresentou metodologia especialmente criada para medir a EMP nos canteiros de obras.

O projeto que gerou os principais estudos apresentados teve duração de seis anos e foi financiado integralmente pela Finep. Durante toda a sua execução, o projeto contou com apoio direto da FAI.UFSCar (Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Universidade Federal de São Carlos), que fez o gerenciamento dos recursos concedidos e a aquisição dos produtos e serviços para as quatro universidades da rede. O projeto colaborou com a formação de cerca de 100 novos pesquisadores nos níveis de graduação e pós-graduação. Mais informações podem ser acessadas em www.cantechis.ufscar.br.