Seminário sobre educação no campo já tem 350 inscritos de 16 Estados brasileiros

Data: 27/06/17 17:39:30

Das 100 mil escolas rurais que existiam em 2002 no Brasil, 17 mil foram fechadas. Mais de 1,2 milhão de pessoas ficaram sem escola ou foram obrigadas a estudar nas cidades. Os impactos dessas transformações serão discutidos na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) durante o I Seminário Internacional e o IV Seminário Nacional de Estudos e Pesquisas sobre a Educação no Campo.

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As políticas educacionais para o meio rural, sob o panorama geral da educação no campo no Brasil e na América Latina, com destaque para Cuba e Colômbia serão debatidas por especialistas e pesquisadores entre os dias 26 e 28 de julho no Campus São Carlos. Foram inscritos 189 trabalhos para serem apresentados e, até 30 de junho, 350 pessoas estavam inscritas como ouvintes. As inscrições são de pessoas de 16 Estados diferentes do país.

“Esperamos contribuir para a compreensão de como as políticas públicas para a educação rural têm se desenvolvido frente à luta de classes, no contexto brasileiro e latino americano”, explica José dos Santos Neto, pesquisador integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Educação no Campo (GEPEC) da UFSCar.

Os eixos do seminário estão divididos em Movimentos Sociais; Políticas Públicas; Marxismo, Trabalho e Formação Humana; Formação e Trabalho Docente; Administração e Gestão Escolar; Histórias das Instituições Escolares; Educação Especial; Pedagogia Histórico-crítica; e Organização Sindical. Os interessados em participar como ouvinte podem se inscrever até no dia do evento pelo www.semgepec.ufscar.br.

Dados de 2014 apontam que entre os jovens das 923.609 famílias que viviam em 8.763 assentamentos no Brasil, 15,58% não foram alfabetizados; 42,27% cursaram apenas até a antiga 4ª série; 27,27% concluíram o ensino fundamental; 7,36% fizeram uma parte do ensino médio e 6,04% concluíram a Educação Básica. A falta de incentivo e de estrutura justificam esses números.

O professor Luiz Bezerra, docente do Departamento de Educação (DEd) da UFSCar, coordenador do Gepec e do curso de Pedagogia da Terra da Instituição, conta que a luta por uma educação específica para as pessoas que vivem no meio rural é do início do século XX, mas foi a partir da década de 1990 que ganhou força com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). "Os movimentos sociais têm lutado por uma educaçã ;o específica. Hoje, 40 universidad es têm cursos de licenciatura em educação do campo", comemora Bezerra.